A cidade é o palco da renovação da Igreja – a opinião de José Mattoso

As conferências sobre a cidade são muito importantes para compreender o mundo em que vivemos e o que devemos ou podemos fazer dele. Acho que é por isso que têm tido grande sucesso. Parece que seria bom prolongar a iniciativa.

A conferência do João Ferrão foi muito importante, porque nos aponta e explica o funcionamento de uma área de intervenção cívica que, de certo ponto de vista, está ao alcance de toda a gente. Lembra-nos que a cidade é o lugar onde se dão as grandes transformações políticas, culturais e económicas. Por conseguinte, é também na cidade que terá de se situar a hipotética renovação da Igreja, se ela conseguir vencer a sua milenar inércia. Aí, de facto: na cidade e não, obviamente, nas paróquias rurais. As pessoas isoladas não podem transformar coisa alguma.

O tema do associativismo parece-me, por isso, da maior importância. Na conjuntura abismal de hoje, é dos poucos em que merece a pena reflectir e agir. Implica abordagens teóricas acerca do funcionamento associativo, dos mecanismos próprios das suas modalidades, dos objectivos a alcançar, dos cuidados a ter, etc. Convém reunir o maior número de informações concretas, por causa da carga dinâmica dos exemplos práticos e da possibilidade de conhecer directamente as suas estratégias e as suas iniciativas. A maioria das associações existentes talvez seja de actividades específicas. Mas seria particularmente interessante estudar em que condições e que possibilidade haveria de criar redes de organismos de vários sectores e com vários objectivos. A cooperação das associações entre si talvez pudesse criar sinergias capazes de renovar o funcionamento da democracia, hoje tão desacreditada e tão pervertida. Dadas as múltiplas escalas em que as associações se situam, desde as mais reduzidas às de grandes dimensões,  cria-se a possibilidade (teórica) de os indivíduos terem a possibilidade de intervir pessoalmente sem ficarem reduzidos à condição de carneiros (desculpem o termo).

Na conjuntura actual seria indispensável estudar a sua articulação com as estruturas político-partidárias e os órgãos da governação e, por outro lado, com os organismos que se dedicam ao voluntariado. Também seria muito interessante saber como evoluíram até hoje as comunidades de base brasileiras e dos outros países sul-americanos, dada a importância que tiveram nos anos 60.

Enfim, pela minha parte gostava também de saber que efeito têm ou podem ter os vários tipos de associações sobre as metrópoles caóticas do México, Brasil, Indonésia, Índia, Oriente, etc., cujo crescimento parece impossível de travar.

Todos estes pensamentos nasceram de uma leitura atenta da conferência do João Ferrão. Não sei se têm alguma utilidade prática. Mas é o que posso oferecer-vos para cooperar com o « Escutar a Cidade ».

José Mattoso

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