A voz de João Pacheco

A um auditório quase a transbordar, com pessoas diversas em idades, locais da cidade e “moradas” na Igreja – todas respondendo ao nome de “católicas” -, João Pacheco veio dizer duas coisas a seu ver fulcrais para a Igreja, de modo a ela não se perder da sua missão essencial: não deixar ninguém para trás. Por um lado, propõe três mandamentos, centrados na atenção:

  1. Conhece a tua própria história;
  2. Faz por conhecer a história dos que te rodeiam no quotidiano;
  3. Tenta conhecer e dar a conhecer a história daqueles por quem passas sem notar.

Por outro lado, dá o conselho de que a Igreja se adapte às formas actuais, mais virtuais que outra coisa, de comunicação: sites, vídeos, enfim, a net que hoje liga o mundo, permite conhecer os confins do globo e falar com todos. E disse-o como alguém cujo interesse por Deus considera nulo (pensando que Deus lhe paga na mesma moeda…), reconhecendo-se contudo com uma história que muito se cruza com a religião católica. Contou episódios seus que mostram isso, posicionando-se como contador de histórias, o que o João é, que acredita que elas são fonte de uma imensa aprendizagem (a própria Bíblia, que lhe foi oferecida por seu pai como um grande romance, dá sinais disso). Vive-as, pois, como lugares-chave de uma atenção particular ao outro, a si, a diferentes contextos, inscrevendo cada pessoa numa memória: cultural, colectiva, familiar ou de grupo. Naquela tarde, ouvimos o jornalista crítico e criativo – artista e esteta – João Pacheco – agnóstico nascido em cultura judaico-cristã – a dirigir-se à Igreja-em-Lisboa, com algumas pequenas-grandes histórias suas: sérias e jocosas, de humor e propósito, saborosas e bem contadas.

Curiosamente, ouvindo-o, eu própria me lembrei de outras histórias com o João: foi aluno meu no 1o ano de Faculdade e a ele coube a nota mais alta do ano. Nessa altura averiguei, perante a sua expressão estupefacta, de onde vinha o nome que no exame assinara: “João Ruela Ramos Assis Pacheco”. Foi quando descobri que na minha juventude conhecera bem seus avós, pais e tios, todas fazendo parte também da minha própria história, e que nesses anos voltei com gosto a encontrar. Julgo que ficámos amigos para sempre. Ora é bom ver e ouvir agora de novo o João: promessa em acto, nesse seu primeiro ano universitário, a cumprir-se no seu devir como pessoa muito especial. E essa atenção à vida e aos outros ainda há-de levar de algum modo o João ao sentido do grande Horizonte último para a vida… Parabéns João por seres quem és.

Isabel Allegro de Magalhães
Movimento do GRAAL

Anúncios

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s