De como o Império Suburbano me desafiou a Escutar a Cidade e, na cidade, escutar-me a mim própria

Na cidade, “somos todos de alguma forma crioulos e imigrantes, todos somos estrangeiros (Alfredo José Teixeira): escreve neste blog uma mulher do norte que, antes de se “apropriar” desta cidade e aprender a amá-la, se sentiu muitas vezes estrangeira. Imigrante tem sido sempre, porque se mantém ligada às suas raízes. “Crioula” também: corre nas suas veias sangue celta e mouro… uma boa combinação para aprender a escutar… a cidade de Lisboa.

Não estamos aqui para agradar aos outros, estamos [aqui] por convicção, ouvimos as batidas sincopadas dos Império Suburbano: “como se os processos sociais e reivindicativos dos pobres fossem ‘um ruído’ (Ana Drago)… que incomoda o meu ou o nosso ouvido?

Sê tu próprio, convidaram-nos.

Tu não és coitadinho (…) faz o que eu faço (…) a mudança começa em nós. Os Império Suburbano não são coitadinhos, não, vieram dar-nos uma lição de alegria, compromisso pessoal e político, consciência e orgulho na sua cultura, consciência universal. E nós, como ultrapassamos a pena de nós próprios e nos viramos para fora? Partilhar nem que seja só um seguuuuundinho, sugerem.

Queres fazer alguma coisa? [Faz] primeiro em ti. Escutar a cidade com ouvidos que não apenas ouçam, mas escutem, à maneira do “Effathá” de Cristo no Evangelho de Marcos quando cura o surdo-mudo: “Abre-te!” Sim, diz João Pacheco: “Se existe Eternidade, é para se comer!”

Peço por toda a mulher humilhada, violada; meninos de rua… vítimas da ganância… vidas perdidas… dedos nas feridas das vidas perdidas… nas cidades, nos subúrbios…. porque é que não olhamos quando vemos um necessitado? Como criar “espaços de co-presença” (Ana Drago)? Temos ou não capacidade de mudar a humanidade? interpelam-nos os Império Suburbano. Ou, pelo menos, a cidade?

Se eu pudesse mudar o mundo… mudava primeiro as solidões, os desencontros, os silêncios, as injustiças gritantes desta cidade que habito e me habita, “a cidade dos viajantes, a Cidade de Ulisses”, como diz Teolinda Gersão, a cidade dos viajantes, daqueles que andam à procura, “a cidade do meu destino”:

Os viajantes vão à procura de si noutros lugares e nenhum esforço lhes parece demasiado e nenhum passo excessivo, tão grande é o desejo de chegarem ao seu destino. Com sorte conseguem encontrar a cidade que procuram.  Ao menos uma vez na vida (TG).

“Portugal na queda da Europa” (Viriato Soromenho Marques). E Lisboa, a nossa Cidade?

Teresa Vasconcelos
Movimento do Graal

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